Violência contra médicos no pronto atendimento: o que muda com a Resolução CFM 2.444/2025
Resolução CFM 2.444/2025 cria protocolos obrigatórios contra violência a médicos. Veja desafios, prevenção e como agir após agressão.
Introdução
A violência contra médicos em pronto atendimentos cresceu de forma alarmante no Brasil. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), 12 médicos são agredidos por dia no exercício da profissão. Para enfrentar esse cenário, foi publicada a Resolução CFM nº 2.444/2025, que estabelece medidas concretas de prevenção e proteção.
Neste artigo, vamos explicar:
Quais são os principais desafios enfrentados pelos médicos em plantões;
Quais medidas de prevenção podem ser adotadas;
O que fazer em caso de agressão;
E como a nova resolução muda a realidade da segurança médica.
Os principais desafios dos médicos em pronto atendimento
Médicos que atuam em prontos-socorros enfrentam diariamente:
Ambientes hostis: superlotação, filas e pacientes ou familiares frustrados;
Falta de segurança: ausência de vigilância e controle de acesso;
Carência de protocolos claros para ameaças e agressões;
Medo de retaliação ao denunciar casos de violência;
Exposição em redes sociais após conflitos;
Plantões em áreas de risco, sem rotas seguras ou espaços de proteção.
O que diz a Resolução CFM 2.444/2025
A nova resolução reconhece a segurança como direito do médico e impõe obrigações às unidades de saúde. Entre elas:
Medidas preventivas obrigatórias
Controle de acesso e videomonitoramento em áreas comuns;
Protocolos escritos para resposta imediata a casos de violência;
Treinamento periódico das equipes;
Suporte jurídico e psicológico ao médico vítima;
Comunicação obrigatória ao CRM e, em casos graves, à polícia e ao Ministério Público;
Possibilidade de transferência de setor do médico ameaçado.
Áreas de risco
Implantação de “salas seguras” para abrigar profissionais em situações de conflito;
Protocolos de paralisação temporária em caso de confronto armado nas imediações.
Como prevenir a violência no plantão
Além das medidas institucionais, o médico pode adotar condutas individuais:
Formalizar, por escrito, pedidos de reforço de segurança ao diretor técnico;
Dominar o protocolo de resposta da unidade;
Usar comunicação clara e assertiva com pacientes e familiares;
Manter rota de saída desobstruída no consultório;
Documentar no prontuário qualquer ameaça ou desacato;
Acionar a segurança ao primeiro sinal de risco, sem tentar “resolver sozinho”.
O que fazer em caso de agressão
Se ocorrer um episódio de violência:
Durante o ato:
Acione imediatamente segurança e autoridades;
Preserve sua integridade e dos demais.
Após o ato:
Faça registro detalhado (hora, local, envolvidos, testemunhas);
Solicite suporte jurídico e psicológico da unidade;
Exija notificação ao CRM, e em casos graves, à polícia e MP;
Peça transferência de setor, se necessário.
Em até 48h:
Registre boletim de ocorrência;
Guarde provas (imagens, laudos, documentos);
Mantenha cópia dos requerimentos enviados ao diretor técnico.
Perguntas frequentes (FAQ)
A unidade é obrigada a me dar suporte jurídico/psicológico após agressão?
✅ Sim. A Resolução 2.444/2025 determina que o hospital forneça apoio administrativo, jurídico e psicológico.
Sou obrigado a permanecer no setor após ameaça?
❌ Não. O médico pode solicitar transferência formal ao diretor técnico, com ciência ao CRM.
Quem deve notificar o CRM?
👉 A unidade de saúde. Mas, se ela não o fizer, o médico pode comunicar diretamente.
Conclusão
A violência contra médicos não pode ser tratada como “parte do plantão”. Com a Resolução CFM 2.444/2025, a proteção ganha força normativa e cria obrigações claras para gestores e instituições.
👉 Se você atua em pronto atendimento e enfrenta situações de risco, saiba que tem direito a condições seguras.
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