🩺 Sigilo médico em casos de aborto: o que a recente decisão do STF ensina aos profissionais de saúde

Introdução

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal confirmou a condenação de um hospital do interior de São Paulo por violar o sigilo profissional de uma paciente atendida em situação de aborto. A médica responsável comunicou o caso à polícia, e a paciente acabou denunciada.

O resultado: uma indenização de R$ 10 mil por danos morais e, mais importante, um recado direto aos profissionais de saúde: manter o sigilo é regra, e a exceção só se aplica em hipóteses legais muito restritas.

Esse julgamento não discute a legalidade do aborto em si, mas reforça um princípio central da Medicina: o dever de confidencialidade.


Por que o sigilo importa tanto?

O sigilo médico não é apenas uma norma ética: ele sustenta a relação de confiança entre paciente e profissional de saúde. Sem essa proteção, muitas pessoas deixariam de buscar atendimento por medo de represálias, especialmente em situações sensíveis.

Além disso, a violação indevida pode expor o médico e a instituição a processos judiciais e sanções éticas.


O que diz a norma sobre comunicar crimes?

O Código de Ética Médica orienta que o médico não pode revelar informações que levem seu paciente a um processo criminal.
Já a Lei das Contravenções Penais admite que o médico deve comunicar crimes de ação penal pública, mas com uma trava: se a comunicação expuser o paciente a procedimento criminal, o silêncio é obrigatório.

Na prática, isso significa que em situações como o autoaborto, o sigilo deve ser preservado.


Como o médico deve agir na prática

Diante de casos sensíveis, a conduta correta passa por três pilares:


O que muda para hospitais e equipes

A decisão do STF é um alerta para que hospitais e clínicas revisem seus protocolos internos. É fundamental:


Conclusão

O recado do Supremo é simples e direto: o médico não é um delator do seu paciente.
Ao contrário, cabe-lhe proteger o sigilo profissional como parte do cuidado.

Quebrar essa confiança, fora das hipóteses legais, traz consequências sérias: desde processos éticos no Conselho Regional de Medicina até indenizações judiciais e desgaste da reputação.

🧠 O caso reafirma uma verdade que todo médico já conhece, mas que merece ser lembrada: sem sigilo, não há medicina segura nem relação de confiança possível.