🩺 Segurança do paciente no hospital:
o que o médico pode fazer para prevenir erros simples que custam caro?
Introdução
A cada plantão, milhares de decisões clínicas são tomadas em ambientes hospitalares. Pequenos deslizes, muitas vezes considerados banais, podem gerar eventos adversos graves — desde atrasos em diagnósticos até erros de prescrição e falhas na passagem de plantão.
Estudos internacionais mostram que 1 em cada 10 pacientes internados sofre algum tipo de evento adverso, e mais da metade poderia ser evitada. No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador: sobrecarga das equipes, sistemas burocráticos pouco eficientes e falta de protocolos bem aplicados tornam o risco ainda maior.
Mas a boa notícia é que grande parte desses problemas pode ser prevenida com medidas simples, práticas e ao alcance do médico.
O que está em jogo: impacto clínico e legal
Para o médico, o erro hospitalar vai muito além de consequências clínicas. Ele pode comprometer sua reputação profissional, gerar processos éticos e até implicações judiciais. Já para o paciente, significa mais tempo de internação, sequelas ou até risco de morte.
👉 Isso torna a segurança do paciente não apenas um tema institucional, mas uma responsabilidade direta do médico.
Principais erros que ainda acontecem dentro dos hospitais:
Mesmo em grandes centros, os problemas se repetem:
Prescrição incorreta de medicamentos – dose errada, abreviações confusas, falha na checagem de alergias.
Passagem de plantão falha – informações truncadas, pressa e dados omitidos.
Atraso em diagnóstico – demora na solicitação de exames ou falha na reavaliação clínica.
Cirurgias com falhas básicas de segurança – como lateralidade trocada ou ausência de checklist.
Quedas e acidentes de pacientes internados – muitas vezes por falta de prevenção simples.
O que o médico pode fazer para mudar essa realidade:
1. Estruturar a passagem de plantão
Use protocolos como ISBAR (Identificação, Situação, Background, Avaliação, Recomendação).
Documente pendências no prontuário e confirme entendimento com o colega.
2. Reforçar a segurança da prescrição
Evite abreviações.
Sempre revise peso, idade e função renal antes de definir doses.
Utilize sistemas eletrônicos de prescrição sempre que disponíveis.
3. Aplicar checklists cirúrgicos e clínicos
No centro cirúrgico, confirme paciente, procedimento e lateralidade.
Nos atendimentos críticos, use checklists de parada cardiorrespiratória, sepse e síndromes coronarianas.
4. Reduzir riscos de queda e acidentes
Identifique pacientes de alto risco (idosos, sedados, confusos).
Oriente familiares e cuidadores.
Reforce rondas noturnas e uso de grades laterais.
5. Estimular cultura de equipe
A integração entre médicos, enfermagem e fisioterapia reduz ruídos de comunicação.
Reuniões rápidas no início do plantão alinham prioridades.
Prevenção é também proteção profissional
Ao adotar medidas de segurança, o médico protege não apenas o paciente, mas também a si mesmo. Um prontuário bem documentado, um checklist aplicado e uma comunicação clara reduzem a probabilidade de questionamentos futuros — tanto de familiares quanto de instâncias legais.
Conclusão
A segurança do paciente não depende apenas de grandes investimentos hospitalares ou sistemas complexos. Ela começa com atitudes práticas do médico no dia a dia: prescrever com atenção, passar o plantão de forma estruturada, aplicar checklists e prevenir riscos básicos.
🧠 Pequenas ações podem significar a diferença entre uma internação segura e um evento adverso grave.
E, mais do que isso: reforçam o compromisso ético do médico com a vida e a dignidade do paciente.